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19/07/2011

Ritual


Os The Black Dahlia Murder são, sem dúvida, uma das maiores referências do death metal melódico actual. Como tal, a expectativa relativamente ao seu novo álbum era enorme para mim.  Com agrado posso afirmar que o resultado cumpriu com as expectativas. Em conformidade com a sua linha de sempre, alternando doses de saudável brutalidade com componentes melódicas, este é o seu trabalho de mais longa duração, o que desde logo indica um arrojo e experimentação em termos da composição dos temas.

A sonoridade do álbum é fantástica, com descargas alucinantes de riffs intensos e uma bateria que parece aqui melhor que nunca. O som na guitarra está mais limpo e elaborado, desbravando caminho a solos brilhantes e do mais requintado que a banda já produziu. Tecnicamente, na bateria, também há mais espaço a um trabalho pormenorizado ao invés de descargas brutas e pouco precisas. O resultado é um som mais coeso e cuidado, revelador de uma maior maturidade criativa da banda.

É difícil escolher temas preferidos já que a oferta é toda ela muito boa. A abertura do álbum é brutal, com 'A Shrine to Madness', 'Moonlight Equilibrium' e 'On Stirring Seas of Salted Blood' a causarem impacto imediato. A partir daqui o álbum segue um ritmo frenético mas sempre com a fluidez apropriada, sem se tornar cansativo ou repetitivo. O tema menos bom (e notem que não é um tema fraco, simplesmente inferior aos restantes) será porventura 'Den of the Picquerist', faixa de apenas 1:30. Há ainda espaço a uma incursão por terrenos mais próximos do black metal através de 'Great Burning Nullifier' (e que bem concretizada) e um encerramento em grande com 'Blood in the Ink'. Um dos temas que mais me impressionou foi 'Carbonized in Cruciform' que conta com uma inesperada introdução em piano para depois deslumbrar e ainda apresentar um dos meus solos favoritos do álbum.

Parece inquestionável que este Ritual será com certeza um dos álbuns de metal do ano. E fica aqui confirmado que os The Black Dahlia Murder continuam a trilhar por um caminho bem convincente, deixando uma sombra difícil de acompanhar para outras bandas do meio. Nota 9/10.

Fiquem com os temas 'Carbonized in Cruciform' e 'Moonlight Equilibrium':






30/06/2011

Oceanic


Os portugueses Blacksunrise estão de volta para mostrar que o metal nacional está em boa forma. Naquele que é o seu terceiro álbum de originais a banda apresenta-se uma vez mais com formação renovada e cheia de vontade em mostrar bom trabalho.

'Oceanic' conta com 11 temas e uma duração de quase 40 minutos. Nesta sua terceira incursão a mood volta a lembrar os tempos de 'The Azrael', o álbum de estreia. O som está novamente mais próximo de um death metal melódico, ocasionalmente temperado com outros elementos. Ainda assim, neste disco nota-se uma maior maturidade da banda que se reflecte em temas mais fortes e consistentes. A bateria é explosiva a todos os instantes e devidamente acompanhada no ritmo por linhas de baixo fortes. O trabalho de guitarra é fantástico, com solos precisos e bem executados no meio de riffs enérgicos. Outra surpresa agradável é o trabalho do novo vocalista, Sérgio Batista, que corresponde às expectativas e tem um desempenho bem convincente.

 O álbum conta com diversos temas fortes, entre os quais se podem destacar Crowning Neptune's Wrath, Atlantida ou o poderosíssimo Adamastor. Destaque ainda para o tema I Am The Sea, que conta com a colaboração de Sophia Vieira (Cinemuerte).
Composto por um conjunto de melodias excelentes, que são temas fortes e convincentes, 'Oceanic' é um álbum que, a meu ver, se assume como o mais forte na discografia dos Blacksunrise. Não é coincidência que daqui a uns dias actuem com os The Black Dahlia Murder, já que o seu som em diversos momentos lembra a sonoridade destes. Este lançamento constitui certamente mais um passo convincente na carreira de uma banda que prova como tem sabido amadurecer e mostra o valor da música nacional. Nota 7/10.


Deixo-vos com o vídeo oficial para o tema Physalia Physalis:
 

22/06/2011

Sounds of a Playground Fading


Os suecos In Flames lançaram este mês o seu novo álbum, intitulado Sounds of a Playground Fading. Deste o lançamento de Reroute to Remain (2002) que o núcleo duro de fãs da banda se dividiu, em virtude das alterações que a banda introduziu no seu som. Vindos de uma base death metal melódico, a sua música reflecte hoje em dia uma sonoridade mais próxima do metal americano. É neste contexto que nos chega este novo álbum.

Sounds of a Playground Fading é um álbum que em momentos parece recordar The Jester Race (1996), um dos meus álbuns favoritos dos suecos. Isto nota-se sobretudo na primeira metade do disco, composta de temas mais melódicos e com forte valorização das guitarras e vocalizações suaves. De facto, só ao quinto tema, com The Puzzle, se agitam um pouco às águas num prenúncio daquilo que estará reservado daqui para a frente. Ainda assim, todo o disco apresenta uma sonoridade menos agressiva que a fase pré-2002 e fortemente delineada pelo estilo de metal mais característico de bandas americanas. Há um claro destaque para a secção rítmica e para o jogo de sintetizadores e efeitos, relevando-se os solos de guitarra para segundo plano. Estes são bem menos frequentes. Na voz, Anders explora as suas capacidades através de uma voz mais limpa, com menos berros e vocalizações graves em apenas alguns momentos.

O alinhamento dos temas está bem conseguido e em momento algum o álbum se torna cansativo. A alternância de temas mais ligeiros com outros mais vigorosos ajuda precisamente a isso, uma vez que em termos rítmicos nem sempre temos inovação por aí além. Where The Dead Ships Dwell é outro dos temas mais agradáveis, já que dá mais espaço ao trabalho das guitarras.

Naturalmente que os fãs dos primeiros discos da banda poderão achar este esforço algo inconsequente. Mas esse é um julgamento que se tem tornado repetitivo desde o já mencionado disco de 2002, ponto de viragem na sonoridade dos In Flames. O seu som alterou-se é certo, mas isso não retira qualidade à banda. Sounds of a Playground Fading é um bom disco, com alguns temas bastante fortes e com o bónus adicional de em alguns momentos soar ao já distante The Jester's Race. Depois de um par de discos menos conseguidos, considero que é um bom regresso. Sem deslumbramentos, é certo, mas bastante satisfatório. Nota 7/10.


Para audição, deixo-vos o single de apresentação 'Deliver Us':





E o tema 'A New Dawn', um dos que mais apreciei:




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